5 erros de segurança que podem gerar problemas com a LGPD
- Autor: Alex Hinckel
- Publicado:
- Atualizado: 16/05/2026
- 10 min
Introdução
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) completou cinco anos de vigência e ainda surpreende muitos gestores com uma verdade incômoda: a maioria das empresas que estão em desconformidade não descumpre a lei por má-fé — descumpre por descuido técnico.
Multas que podem chegar a R$ 50 milhões por infração, além de sanções como a suspensão do direito de tratar dados, são consequências reais para empresas de qualquer porte. E o que está por trás de boa parte dos incidentes investigados pela ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) não são ataques sofisticados de hackers — são falhas básicas de segurança de TI que poderiam ter sido evitadas.
Se a sua empresa coleta, armazena ou processa qualquer dado de clientes, fornecedores ou funcionários — e praticamente todas as empresas fazem isso —, este artigo é para você. Veja os 5 erros mais comuns que colocam negócios em risco com a LGPD e o que fazer para corrigi-los.
Erro 1 — Falta de controle de acesso aos dados
A LGPD exige que os dados pessoais tratados pela empresa se limitem ao mínimo necessário — e que apenas quem realmente precisa tenha acesso a eles. Na prática, porém, é comum encontrar empresas onde qualquer colaborador consegue visualizar cadastros de clientes, dados financeiros ou informações sensíveis de colegas.
Isso gera dois problemas sérios:
- Risco de vazamento interno — erro humano, dispositivo comprometido ou demissão mal conduzida podem expor dados de centenas de clientes
- Falta de rastreabilidade — sem controle de acesso, é impossível identificar a origem de um incidente, o que agrava a situação perante a ANPD
Como corrigir:
- Mapeie quais dados a empresa trata e quem precisa acessá-los
- Implemente perfis de permissão por cargo ou departamento
- Use ferramentas como Active Directory e autenticação centralizada
Uma empresa de TI especializada realiza esse diagnóstico e configura os acessos sem impactar a rotina da equipe.
Erro 2 — Ausência de backup estruturado e política de retenção de dados
Guardar dados pessoais indefinidamente, sem critério, é uma violação da LGPD. A lei exige que os dados sejam mantidos apenas pelo tempo necessário para a finalidade que justificou sua coleta. Além disso, empresas sem backup estruturado correm o risco de perder essas informações — e um vazamento ou perda de dados pessoais exige notificação obrigatória à ANPD.
Os erros mais comuns nesse ponto:
- Sem política de retenção — dados de clientes e ex-funcionários acumulados por anos sem necessidade ou base legal
- Backup inexistente ou mal configurado — cópias feitas de forma manual, irregular ou sem verificação de integridade
- Sem teste de restauração — o backup existe, mas nunca foi testado e pode falhar justamente quando mais precisar
Como corrigir:
- Defina por quanto tempo cada tipo de dado precisa ser mantido e crie um fluxo de descarte seguro
- Implemente uma rotina de backup automatizada, com cópias em locais distintos (local + nuvem)
- Realize testes periódicos de restauração para garantir que os dados possam ser recuperados
Backup não é só uma boa prática de TI — é um requisito de conformidade com a LGPD.
Erro 3 — Sistemas e softwares desatualizados
Sistemas sem atualização são uma das principais portas de entrada para ataques cibernéticos. Quando uma vulnerabilidade é descoberta em um software, os fabricantes lançam correções — mas empresas que não aplicam essas atualizações ficam expostas, às vezes por meses ou anos.
Para a LGPD, isso é um problema direto: a lei exige que as empresas adotem medidas técnicas de segurança para proteger os dados pessoais que tratam. Um vazamento causado por software desatualizado dificilmente será tratado como caso fortuito pela ANPD.
Os erros mais comuns:
- Windows e sistemas operacionais sem atualização — ambientes rodando versões antigas e sem suporte do fabricante
- Softwares de gestão e ERPs desatualizados — sistemas internos esquecidos que acumulam vulnerabilidades
- Antivírus e ferramentas de segurança obsoletos — proteção que não reconhece ameaças modernas
Como corrigir:
- Estabeleça uma rotina de atualização periódica para todos os sistemas e dispositivos
- Substitua softwares que não recebem mais suporte do fabricante
- Monitore continuamente o ambiente para identificar brechas antes que sejam exploradas
Manter o ambiente atualizado é uma das formas mais simples e eficazes de reduzir o risco de incidentes com dados pessoais.
A Proactus realiza um diagnóstico completo do seu ambiente de TI, identifica vulnerabilidades e implementa as correções necessárias para manter sua empresa em conformidade. Descubra onde estão os riscos antes que eles se tornem um problema.
Erro 4 — Ausência de monitoramento e registro de incidentes (logs)
Saber o que acontece no ambiente de TI da empresa em tempo real não é luxo — é requisito. A LGPD exige que as empresas consigam identificar, investigar e notificar incidentes envolvendo dados pessoais. Sem monitoramento e registros de acesso, isso simplesmente não é possível.
Os erros mais comuns:
- Sem logs de acesso — nenhum registro de quem acessou, alterou ou excluiu dados e quando
- Sem alertas de comportamento suspeito — acessos fora do horário, volumes anormais de download ou tentativas de invasão passam despercebidos
- Sem processo de resposta a incidentes — quando algo acontece, a empresa não sabe o que fazer nem por onde começar
Como corrigir:
- Implemente ferramentas de monitoramento contínuo que registrem atividades nos sistemas e na rede
- Configure alertas automáticos para comportamentos fora do padrão
- Defina um processo claro de resposta a incidentes, incluindo os prazos de notificação exigidos pela LGPD (até 2 dias úteis após a ciência do incidente)
Sem visibilidade sobre o que acontece no seu ambiente, qualquer auditoria da ANPD pode se tornar um problema muito maior do que o incidente em si.
Erro 5 — Falta de treinamento e conscientização dos colaboradores
A tecnologia mais avançada não protege uma empresa se as pessoas que a utilizam não souberem como agir com segurança. O erro humano é responsável pela maioria dos vazamentos de dados — e a LGPD não distingue se o incidente foi causado por um hacker ou por um funcionário que clicou no link errado.
Os erros mais comuns:
- Colaboradores que não sabem identificar phishing — e-mails falsos que roubam credenciais de acesso continuam sendo o vetor de ataque mais utilizado no mundo
- Compartilhamento inadequado de dados — envio de arquivos com dados pessoais por WhatsApp, e-mail pessoal ou sem criptografia
- Desconhecimento das políticas internas — funcionários que não sabem o que podem ou não fazer com os dados que acessam no dia a dia
Como corrigir:
- Promova treinamentos periódicos sobre segurança da informação e LGPD para todos os colaboradores
- Crie políticas internas claras e acessíveis sobre o uso de dados, dispositivos e sistemas
- Realize simulações de phishing para medir e aumentar o nível de atenção da equipe
Uma empresa pode ter toda a infraestrutura de segurança no lugar e ainda assim sofrer um incidente por conta de um único clique descuidado. Investir na conscientização das pessoas é tão importante quanto investir em tecnologia.
Conclusão
A conformidade com a LGPD não depende apenas de contratar um advogado ou assinar um termo de política de privacidade. Ela começa na infraestrutura de TI — nos acessos que são concedidos, nos sistemas que são mantidos atualizados, nos backups que são testados e nas pessoas que são treinadas.
Os 5 erros apresentados neste artigo são os mais comuns encontrados em pequenas e médias empresas — e também os mais evitáveis. Nenhum deles exige grandes investimentos para ser corrigido. O que exige é organização, método e, na maioria dos casos, o apoio de uma empresa de TI especializada.
A boa notícia: identificar e corrigir essas falhas antes de um incidente é infinitamente mais barato — e menos desgastante — do que lidar com as consequências depois.
Se você leu este artigo e reconheceu um ou mais desses erros na sua empresa, esse é o momento certo de agir.
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Dúvidas comuns sobre o assunto
O que é a LGPD e quem precisa cumpri-la?
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) regulamenta como empresas coletam, armazenam e tratam dados pessoais de clientes, fornecedores e funcionários. Ela se aplica a empresas de todos os portes e setores — do profissional autônomo à grande corporação. Se a sua empresa coleta qualquer dado pessoal, ela precisa estar em conformidade.
Pequenas empresas também precisam se preocupar com a LGPD?
Sim. A LGPD não faz distinção de porte. Pequenas e médias empresas estão sujeitas às mesmas obrigações e penalidades que grandes corporações. Na prática, as PMEs costumam ser mais vulneráveis justamente por terem menos recursos dedicados à segurança da informação e conformidade.
Quais são as penalidades para empresas que descumprem a LGPD?
As sanções aplicadas pela ANPD incluem advertências, multas de até 2% do faturamento da empresa — limitadas a R$ 50 milhões por infração —, bloqueio ou eliminação dos dados envolvidos e até suspensão do direito de tratar dados pessoais. Além das penalidades legais, um incidente pode gerar danos sérios à reputação da empresa.
Como saber se minha empresa está em conformidade com a LGPD?
O ponto de partida é um diagnóstico do ambiente de TI e dos processos internos que envolvem dados pessoais. Esse levantamento identifica quais dados são coletados, como são armazenados, quem tem acesso a eles e se existem medidas de segurança adequadas. Uma empresa de TI especializada pode conduzir esse diagnóstico e indicar as ações corretivas necessárias.
Investir em segurança da informação é caro?
Essa é uma das percepções mais comuns — e mais equivocadas — entre gestores de PMEs. A maioria das medidas que reduz significativamente o risco de incidentes com a LGPD não exige grandes investimentos: controle de acesso, política de senhas, backup automatizado e treinamento de equipe são ações acessíveis e de alto impacto.
O que costuma ser caro, na verdade, é o contrário: lidar com as consequências de um vazamento de dados. Multas, processos, perda de clientes e danos à reputação geram custos muito maiores do que qualquer investimento preventivo em segurança.
Com o apoio de uma empresa de TI especializada, é possível montar um ambiente seguro e em conformidade com a LGPD de forma planejada, dentro da realidade orçamentária do seu negócio.

Alex Hinckel é fundador da Proactus Tecnologia e especialista em segurança de dados corporativos. Com certificação internacional CompTIA Security+ e expertise nas diretrizes da ISO 27002, acumula mais de 15 anos de experiência na proteção de ativos digitais e continuidade de negócios.
Atuando diariamente na linha de frente da cibersegurança, implementa soluções técnicas para blindar infraestruturas e proteger empresas contra as ameaças da internet.
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